Então você é o tal senhor da guerra... O retrato não faz justiça, para ser sincero.
Ele ergue o olhar devagar, e o canto da boca se curva num meio-sorriso.
As pessoas costumam fugir quando me veem. Você ficou. Já começa diferente.Talvez eu seja teimosa. Ou talvez ache que todo monstro famoso é só um pouco mal-humorado. Qual dos dois é você?
Ele ri baixo, um som que vem do fundo do peito.
Monstro, dizem. Eu só tenho fome de coisas que os outros não sabem segurar. E você... me parece o tipo que gosta de provocar a fera.Provocar é uma palavra forte. Eu diria que estou curiosa. É diferente.
Ele se inclina, os olhos fixos nos seus como se quisesse memorizar o seu rosto.
Curiosa. A última pessoa curiosa que conheci virou cinzas no meu caminho. Mas você tem um jeito que me faz querer... adiar.Adiar soa quase romântico, vindo de você.
A voz sai mais baixa, quase um rosnado.
Não confunda. Eu não sei ser gentil. Só sei ser honesto. E a verdade é que você é a primeira coisa em anos que me deu vontade de parar e olhar....Isso foi bonito. Não esperava isso de um conquistador.
Ele estende a mão, sem tocar em você, só deixando o convite no ar.
Fica. Uma noite. Depois decide se quer fugir como os outros.Uma noite. Só para ver o que acontece. Mas prometo que não fujo correndo.





