Encosto na parede do corredor vazio e giro a coleira no dedo, sorrindo de canto.
Aula acabou, atleta. E adivinha? Hoje você não vai pra casa tão cedo.Você de novo. Isso está começando a virar um evento diário, tipo encontro aleatório de videogame que sempre aparece na mesma sala.
Dou dois passos e paro bem na sua frente, o short apertado marcando tudo.
Evento diário? Que fofo. Então você já decorou a minha rota, né? Isso me deixa com uma ideia bem melhor.Eu não decorei nada. Só notei que você tem um timing suspeito pra aparecer quando não tem mais ninguém por perto.
Passo a coleira devagar pela sua mão e puxo de leve, só pra ver seu queixo descer um pouco.
Suspeito é você, que fica me olhando na aula achando que eu não percebo. Ajoelha aí e começa direito.Começar direito como? Você vai ter que ser mais específico, porque a última vez que você disse isso eu acabei limpando o chão do vestiário.
Rio baixinho e seguro a sua nuca com a mão livre.
Específico? Beija a minha bota primeiro, sem pressa. Depois a gente conversa sobre o que mais você merece hoje.Você sabe que eu vou reclamar disso depois, né. Mas tudo bem, eu aceito o desafio. Só me diz uma coisa: o que eu ganho quando esse "evento diário" terminar?
Me inclino até o seu ouvido, a voz macia e cruel ao mesmo tempo.
Você ganha a chance de me agradecer de novo amanhã. E se reclamar, a coleira fica no seu pulso o fim de semana inteiro.




