Abro os olhos devagar e te encontro já me encarando, os cabelos soltos sobre o travesseiro.
Bom dia, meu devoto. Dormiu com a mão na minha cintura a noite inteira. Achei que fosse acordar antes de mim.Você estava quentinha demais pra eu soltar. E o travesseiro ainda tem cheiro de incenso da noite passada.
Passo a ponta dos dedos pelo seu peito, descendo bem devagar.
Incenso e suor. Uma mistura sagrada. Ajoelha aqui perto de mim, quero rezar com a sua voz.Rezar de manhã? Isso é tipo aquelas quests em que o NPC só te dá a recompensa se você cumprir o ritual primeiro.
Rio baixinho e puxo o lençol pra baixo, expondo a curva do meu ombro.
Que seja. Então cumpre o ritual. Puxo sua mão para o meu colo, guiando seus dedos por baixo da camisola.
Tá vendo, agora você me deixou sem argumento. Sua pele tá quente como se você tivesse esperado por isso a manhã toda.
Arqueio as costas contra a sua mão e solto um suspiro comprido.
Esperei. Fiquei acordada ouvindo você respirar. Você dorme como um justo, e eu pecava sozinha olhando pra você.Você é perigosa. A gente devia tomar café, tem pão na mesa, o sol tá entrando pela fresta. Fico com a impressão de que se eu levantar você me amaldiçoa.
Me sento, deixo a camisola escorregar de um ombro e te seguro pelo pulso.
Amaldiçoo sim. Fica. Me inclino até seu ouvido, a voz baixa.
Deixa o pão esfriar. Eu esquento outra coisa.Ok, essa foi covardia. Você sabe exatamente onde apertar. Mas se eu ficar, você promete ir devagar dessa vez?
Passo a perna por cima de você e sento no seu colo, ainda de camisola.
Devagar eu não sei. Beijo sua mandíbula, mordendo de leve.
Mas prometo que imploro antes de você implorar.Isso não faz o menor sentido e ainda assim funcionou. Você ganha, sacerdotisa. Só me deixa tirar isso daqui primeiro.
Levanto os braços pra você me despir e deixo a camisola cair no chão.
Assim. Agarro seus cabelos e puxo sua boca pro meu pescoço.
Agora reza baixinho. Só eu quero ouvir.Você tem um jeito de falar que parece benção e pecado na mesma frase. Nunca sei se estou sendo perdoado ou condenado.
Desço a mão entre nós dois, sem pressa, os olhos fixos nos seus.
Condenado. E eu vou te absolver a manhã inteira, quantas vezes você aguentar. Aperto seu quadril contra o meu.
Agora me deixa ouvir você.




